Imagem capa - Entrevista: flores, amores e Baobá por Alan Vieira
Inspiração

Entrevista: flores, amores e Baobá

A Cindy Brockveld é criadora da Baobá, uma flowershop e ateliê de Penha, e vem desenvolvendo um trabalho autoral cheio de verdade, sentimento e beleza. Com arranjos diferenciados e que me chamaram a atenção logo de cara, passei a indicá-la para as minhas clientes e hoje temos uma parceria muito boa, já que nossas ideias e maneira de ver a vida são muito parecidas. Sabe aquelas pessoas que você se identifica com o trabalho e fica muito, mas muito grato quanto conhece o lado humano que existe por trás?


Justamente por isso a escolhi para inaugurar essa nova coluna no blog, que contará com entrevistas a fornecedores, parceiros e toda essa galera que vem produzindo uma arte cheia de verdade e consciência. E para as noivas que acompanham a Alan Vieira Photography, mais pro final eu pedi algumas dicas para a hora de escolher os arranjos do seu casamento. Mas não vou revelar demais, é hora de você conhecer as flores, amores e todo o bom astral da Baobá!


Alan Vieira: Você é fashion designer por formação e hoje cria esses arranjos que inspiram e colorem os dias de muitas pessoas. Quando as flores entraram na sua vida? 

 

Cindy Brockveld: Eu trabalhava como fashion designer e sempre gostei muito, mas eu senti a necessidade de tocar a vida das pessoas de uma forma diferente. E não sentia essa realização trabalhando com a moda, eu não acreditava que tocaria de alguma maneira criando roupas. Durante pesquisas eu vi essa ideia de arranjos e conheci o conceito da flowershop, então percebi que seria possível unir o design e a natureza, duas paixões, numa ideia só.

 

E a ideia de criar a Baobá Flowershop como surgiu?


Depois de ter feito um curso de florista em Porto Alegre eu estava com o pensamento de realmente largar tudo e trabalhar com isso, independente de salário, cargo e tudo mais. Então comecei a pesquisar o que eu poderia fazer aqui em Penha, que era para onde eu queria voltar, e que as pessoas conseguissem entender a ideia. Foi então que eu vi que poderia trabalhar com flores, com plantas dessa forma e a Baobá foi surgindo daí. O nome Baobá veio através de pesquisa, eu acredito muito em numerologia e por isso comecei a buscar por um nome que fosse positivo e tivesse um astral bom e ao mesmo tempo de fácil compreensão e pronuncia, para que as pessoas pudessem gravar o nome. Num dia conversando com a minha mãe, ela me mostrou uma flor de baobá e foi aí que tive o estalo, vi que era aquele nome e que todo seu significado tinha a ver com a proposta.

 

Cursar moda contribuiu de alguma maneira para o que você faz hoje na Baobá?

 

Muito. Na verdade a moda, para mim, nunca foi roupa. Sempre foi arte. Foi por isso que escolhi trabalhar com moda e também por esse motivo que tanto a graduação quanto a especialização foram voltadas a isso. E nesse caminho eu pude enxergar como posso trabalhar com tudo, de alguma forma, tendo a criatividade e usando tudo o que aprendi, também aprendi sobre marketing e seus conceitos, que é uma área trabalhada no curso. Isso me ajudou muito na identidade e em todo o processo de criação. Se não tivesse cursado moda eu não teria hoje a visão que tenho das flores e da maneira que quero trabalhar com elas.

 



Algo que chama muita atenção no seu trabalho são as flores mais rústicas e a maneira como os arranjos e buquês são pensados e criados. Esse diferencial, essa fuga do tradicional, foi proposital?

 

Sim. Na verdade tudo é pensado com muito carinho, desde a composição das flores até as cores. Eu sempre penso numa composição que seja diferente, eu não quero trabalhar com o tradicional e a proposta é essa: sempre ter flores que as pessoas não lembram mais que existem, cores que as pessoas acreditam não ter em flor ou planta e monto esses arranjos para que ali as pessoas reconheçam a identidade da Baobá. Me incomodava muito ver que sempre eram comercializadas as mesmas flores. Por exemplo, eu amo rosas mas não existem apenas rosas, sabe? Quero mostrar que existem outras flores e que elas são lindas também.

 

Cada vez mais os artistas e produtores locais estão encontrando seu espaço no mercado. Como você se sente trabalhando com o que ama e fazendo algo muito autoral e orgânico?

 

Me sinto realizada. Para mim, trabalhar como um produto local, algo autoral, é a minha realização de vida. Era esse o meu objetivo, era mostrar que na região tem muito talento e que a gente pode confiar na criatividade. Eu sempre digo que os buquês da Baobá são livres e criativos e acredito que talvez isso seja o diferencial, as pessoas já esperam que eu use a criatividade e entregue algo especial e diferente.

 

A Baobá entrega desde assinaturas florais a rosas individuais. Como você vê a importância das flores nas vidas das pessoas?

 

Para mim a flor é afeto. Eu acho que quando a pessoa te dá uma flor ela tá querendo mostrar o quanto você é especial para ela, quer demonstrar o carinho que tem por você. Você precisa cuidar, diferente de algum outro presente material e que possa ser esquecido. Eu acredito muito que as flores encantam a vida das pessoas, elas fazem bem, são pura emoção.

 



Você tem alguma ligação e cuidado com a sustentabilidade ambiental?


Eu já busco um estilo de vida mais leve como pessoa. Isso entrou muito na proposta da Boabá. Eu trabalho com materiais mais simples, a ideia é não usar espuma floral, materiais tóxicos e reduzir ao máximo o desperdício de embalagens. Qualquer resíduo de plantas, que acaba sendo pouco, nós despejamos num canteiro em casa, já projetado para isso.

 

Você me falou que algumas flores são disponíveis em apenas algumas épocas do ano. Como funciona essa sazonalidade e o que ela altera no seu trabalho?

 

A gente respeita muito a sazonalidade das flores. E aproveita disso para tirar o melhor de cada estação. A proposta da Baobá é entregar realmente as flores da época. Hoje em dia as estufas até conseguem uma produção anual, mas isso implica em uma qualidade menor das plantas. Sempre prezamos pela durabilidade, pela beleza dos arranjos.


Você gosta de seguir alguma tendência? O que inspira ou influencia as criações da Baobá?

 

Com esse estilo de trabalho eu busquei trazer para a região uma nova tendência e até mesmo resgatar esse conceito de menos é mais. Eu vejo que a valorização pela tranquilidade, pela leveza está voltando também. Lá fora esse conceito de flowershop é muito natural, mas aqui ainda existe um exagero, vejo muitas pessoas vendendo as flores de uma forma muito artificial. Eu tiro inspiração de tudo, acompanho blogs com tendência desde cores até carros. Tudo me inspira. Consigo tirar ideias de muitos outros lugares, é uma pesquisa muito ampla.

 



Qual a sua combinação de cores preferida e aquela flor ou o detalhe que não pode faltar nos seus arranjos?

 

Eu amo tudo muito colorido, amo contraste. E uma flor que me encanta, de verdade, é o cravo. Acho exuberante, ao mesmo tempo em que é muito delicado. Tento encaixar sempre que possível nas composições.

 

Nos casamentos, as flores são aquele mimo especial que traz muito mais romantismo e também elegância. Qual o diferencial de escolher o artista floral para o grande dia?


Eu vejo que em muitos eventos as pessoas acabam esquecendo da delicadeza das plantas, acabam não vendo toda a beleza que existe ali, deixando até passar despercebida a presença das flores. O bacana de um casamento é você escolher um artista em que você se identifique, alguém que consiga passar a sua verdade, a alma do casal através desse trabalho. As flores, no meu entendimento, demonstram muito a característica e o estilo da pessoa. Não vejo as flores como uma parte da decoração, ela é a identidade do casal. Na hora de escolher o profissional, a pessoa precisa entender o que você quer passar. É muito importante que o florista entenda a sua festa, apresente uma proposta que tenha realmente a ver com o estilo de vida daquelas pessoas. O artista floral precisa realmente captar a essência, o astral, a importância que as flores terão no casamento.




Qual dica daria para as noivas na escolha das flores?


A escolha das flores tem muito a ver com o ambiente que a pessoa vai casar. Tem flor que é muito delicada, que não suporta muito tempo no sol forte. Então a flor vai muito de acordo com a estação, com o horário. Não tem uma flor especifica para noivas, mas sim voltadas ao momento em que ela vai estar casando. Como flores claras na praia, por exemplo, que acabam não sendo ideais, já que elas não terão tanta visibilidade devido ao sol, a areia e tudo mais. O horário influencia muito no trabalho, no que será usado. Sempre sugiro composições, tons e existe muita liberdade na criação, respeitando também o gosto das pessoas.

 

Você é uma grande parceira da Alan Vieira Photography e para os meus ensaios gosto muito de indicar seus arranjos e coroas de flores. Qual sua dica para as nossas clientes que querem escolher algo diferente para as fotos?

 

A nossa parceria é muito bacana justamente por isso, já que conseguimos trabalhar juntos a identidade da pessoa dentro dos arranjos, nas flores e também na fotografia. O cliente acaba confiando e entregando uma liberdade maior para buscarmos algo que traga a verdade realmente dele. Trabalhar com a Alan Vieira Photography é muito gratificante porque vejo que temos o mesmo olhar, a mesma visão e estilo de vida. Me identifico muito com o afeto e o sentimento envolvido no seu trabalho, vejo muita sinceridade nisso. E é realmente o que busco na Baobá, já que deposito isso também no que faço. Minha dica seria mesmo para que as pessoas não se apegassem tanto ao tradicional, que dessem esse voto de confiança ao novo, a algo diferente e que também tem sua beleza. Eu vejo que as pessoas que buscam o trabalho do Alan Vieira já buscam isso também, já entendem sua forma de trabalho, estão abertas a novas propostas e conceitos. Por isso quero muito que as pessoas procurem por isso também quando forem escolher flores, arranjos. E, claro, que junto possamos entender qual a necessidade da pessoa e fazer o melhor para entregar algo com verdade e essência, algo único.

 



Por último, para quem ainda não conhece a Baobá, como você a descreveria em três palavras? E onde as pessoas podem encontrá-la?


Em três palavras eu acho que seria: autoral, criativa e afetiva. Para mim a Baobá é vida. Ela é viva, é colorida. É como se fosse uma extensão de mim. Meus atendimentos são online, trabalhamos com entregas em Penha e região, as pessoas acessam o Facebook e o Instagram, acompanham nossos produtos e novidades e dali surgem as compras, as informações e tudo mais através do whatsapp também. Estamos trabalhando no momento para poder abrir a loja Baobá Flowershop, onde teremos um espaço realmente pensado para receber o público e criar um apoio à economia criativa regional.


Texto e fotos por: Alan Vieira