Imagem capa - 5 coisas que aprendi com minha primeira exposição por Alan Vieira
Inspiração

5 coisas que aprendi com minha primeira exposição

Expor no Dia dos Namorados minhas fotos em um dos maiores shoppings da cidade foi um presente e tanto! Foi algo que me mudou e veio carregado de muito sentimento e verdade. E, ao mesmo tempo, parecia um sonho, coisa que eu dificilmente iria esperar acontecer há alguns anos.


Passou um filme na minha cabeça, me peguei pensando em todas as vezes que eu tentei buscar o amor, a aceitação e a coragem fora de mim, em outras pessoas. E me fez ver que eu só encontrei de verdade isso quando parei de ver fora e passei a olhar para dentro. A exposição me levou de volta àquele Alan de cinco anos atrás, que certamente sonharia em ser esse fotógrafo de hoje, que cria uma exposição e tem um trabalho tão especial.


Sendo assim, O ELO QUE UNE também pode ser considerada uma realização e um brinde ao "meu eu" lá do começo da carreira, que tentava encontrar seu lugar. Aquele menino lá de Penha, sem muito jeito para falar de si e das coisas que fazia. Essa exposição foi uma experiência que me trouxe muito crescimento e aprendizado. E por isso eu decidi escrever as 5 lições que tirei disso tudo!


1. Fotos impressas sempre terão seu lugar


Com o avanço da fotografia digital e toda a praticidade e qualidade existente nos celulares atuais, ficou cada vez mais comum termos nossas fotos guardadas apenas na memória do computador, o que faz com que esqueçamos muitas vezes da beleza que existe em ter um retrato em mãos. 


Nós vivemos na era do imediatismo, do registro rápido, tanto que as coisas aparentam não poder mais esperar. E justamente por isso que a fotografia impressa parece ter perdido alguns fãs ao longo do caminho. Se antes aguardavam-se dias até que fossem ocupadas todas as poses de um filme e mais um bom tempo até revelar-se aquelas fotos, hoje em dia tudo é mais instantâneo e pontual. Faça um comparativo: quantas das suas fotos do primeiro semestre de 2017 foram impressas? Quantas ganharam vida apenas nas suas redes sociais?


Ao poder escolher as fotos que seriam parte da minha primeira exposição e, mais especial ainda, acompanhar todo o processo de impressão e criação da mostra, me lembrei de como é importante (e diferente) ter um projeto assim, ao alcance dos olhos e no "mundo real". Pude notar e ter total certeza de que fotos impressas sempre terão o seu lugar. Pois são a materialização de um sonho, de um momento, de um sentimento. E nada substitui essa sensação!




2. Emocionar alguém com o nosso trabalho é a melhor recompensa


Meus amigos mais próximos sabem da loucura que foi a preparação e os cuidados com o lançamento da mostra fotográfica. Orçamentos, parcerias, reuniões, estudos, contatos. Foi uma correria! E é fato que esse é um trabalho que acaba tomando mais tempo do que as pessoas devem imaginar. Por ser algo tão intenso, é natural aparecerem dúvidas como "será que vai me trazer algo além do esperado?" ou "qual será meu prêmio depois de tanta trabalheira?".


Somos humanos, está na nossa veia esse sentimento de fazer alguma coisa e ter que receber outra em troca. Tanto que por muitas vezes esquecemos do real significado de algumas coisas, da verdadeira remuneração. Boa parte disso vem do nosso ego, do nosso achar que algo só é válido e justo se nos der algum retorno.


Confesso que por muitos anos eu pensei assim, me deixei levar por esses pensamentos. E algo que a vida me mostrou foi exatamente a ideia de que tudo o que você faz de especial, retorna de alguma maneira para você, naturalmente. Sem precisar forçar. É a lei do universo. E a exposição só me fez ter mais certeza e clareza disso. Ver tantas pessoas se identificarem com as fotos e se emocionarem com esse pedacinho meu foi a melhor e mais gratificante recompensa. 




3. O amor é tudo


O que eu tinha para oferecer era o amor. O amor pelo meu trabalho, pelas pessoas que me cercam, pela minha família, pelo meu relacionamento...  e tudo isso estava presente em cada uma daquelas fotos. Uma senhora me falou, no dia do lançamento da exposição, que aquilo só era verdadeiro porque era natural e me pertencia, saía de dentro de mim. E é muito bom poder aceitar isso, sem duvidar do que somos capaz de fazer e entender que, sim, fazemos algo muito bonito.

 

Durante a exposição pude ver muitos casais se identificarem e se reconhecerem em cada um dos quadros. Pude perceber que viam ali algo que era só deles, mas que também nutriam em comum com o casal que estava na foto. Você percebe como isso é incrível? A exposição me ensinou (ou melhor, relembrou algo que eu já tinha muita convicção) que o amor é tudo. Ele é o elo que nos une, a força maior que existe por trás de qualquer coisa. 


4. As coisas feitas com o coração merecem ganhar o mundo


Não tenha medo! Não desista todas as vezes que parecer difícil ou que você achar que não é capaz. São nesses momentos que vemos o quanto somos fortes e crescemos. Então, uma dica que realmente quero passar para você é: não desista daquilo que você acredita!


Você talvez não consiga mudar o mundo. E quem é que realmente conseguiria, né? Mas você pode mudar o seu mundo e o de quem o cerca. Não tenha receio de mostrar seus trabalhos, mesmo que você esteja há pouco tempo fazendo isso. E lembre-se sempre, sempre mesmo, que as coisas feitas com o coração merecem ganhar o mundo. Então viva a sua própria busca e o seu momento, sem projeções, sem comparações.


Eu não poderia ter lançado essa exposição se continuasse achando que era mais um. E hoje tenho total certeza de que cada pessoa tem algo que é só seu, algo que o torna extremamente especial.




5. Representatividade é importante, sim!


Por último, mais não menos importante, algo que vivo e acredito: a representatividade. Eu não seria justo comigo e com meu trabalho se não abrisse espaço para mostrar o amor da maneira mais singela e única possível, lembrando que ele é realmente algo natural, comum a todos. Cada um sente à sua maneira, o vive do seu jeito, mas ele é um só.


Ao falar de amor e ao trazer fotos dos mais diferentes casais, O ELO QUE NOS UNE me ensinou que, por menor que seja, toda e qualquer forma de combater o preconceito já é extremamente importante. É uma causa de todos, independente de quem você é. Representatividade faz diferença e acolhe. Não precisamos mais de separações, apenas de união! Por isso, posso falar que essa exposição foi um abraço daqueles bem demorados e apertados em todos os apaixonados. E também uma maneira simples e singela de comemorar o Dia dos Namorados!


E uma lição extra que falo hoje para você é: dê mais atenção e importância ao que vem de dentro, reconheça o amor como a coisa mais fantástica que existe e, principalmente, VIVA essa chance você está tendo desde já. O resto a vida se encarrega!


[ATUALIZAÇÃO 17/06]


A mostra fotográfica iria até o dia 21/06, mas por uma escolha totalmente minha eu decidi encerrá-la na sexta-feira, 16/06, pois alguns lojistas se sentiram ofendidos com a presença das duas fotos com casais homoafetivos e solicitaram a retirada das mesmas. Eu não concordo com nenhuma prática de intolerância, preconceito e exclusão e sempre serei a favor da união, da representatividade e do afeto, por isso não faria sentido continuar.


Sou grato a toda a equipe do shopping, que confiou no meu trabalho, me convidou para esse projeto e compartilha do mesmo pensamento que eu. E prefiro acreditar que um dia o amor vai chegar aos corações de todos, sem que importe qualquer detalhe externo.


Nos vemos na próxima!