Imagem capa - 3 coisas que venho aprendendo diariamente com a quarentena por Alan Vieira
Inspiração

3 coisas que venho aprendendo diariamente com a quarentena

Oi, eu sou o Alan. Eu sou fotógrafo de casamento e imagino que, se você chegou até aqui, eu e você devemos ter algo muito especial em comum. Vamos ver... talvez eu tenha fotografando seu casamento, ou você pode ser um colega de profissão e a gente se segue e torce pelo sucesso um do outro, ou quem sabe você acompanha minhas fotos e guarda elas com carinho para quando chegar a sua vez de viver o seu sonho, né? Mas, bem, veja só, hoje nós temos algo ainda maior que nos une.

Hoje eu e você estamos fazendo parte de um novo capítulo da... como posso dizer... história mundial! Já parou pra pensar nisso? Um dia vão estudar na escola sobre os dias que estamos vivendo. E nem adianta eu tentar relutar e afirmar que minha matéria preferida sempre foi artes, porque tanto eu quanto você fomos postos à força dentro de um livro de capa dura contando tudo o que rolou naquele (nada pacato) ano de 2020. E lá vai estar escrito que nós tivemos que manter a calma e a serenidade e permanecermos dentro de casa para evitar o contágio de um vírus que é altamente contagioso. 

Parece até a sinopse de um daqueles vários filmes que a gente fica zapeando na Netflix enquanto escolhemos o que assistir numa quinta-feira à noite sem muito o que fazer. Eu adoraria que fosse, inclusive, mas é real. Esse livro de história tá acontecendo aqui e agora. E, não sendo o bastante, no meio disso tudo nós ainda temos que lidar com a ansiedade, os momentos de solidão e os vários dilemas que uma quarentena tem direito. 


A essa altura não preciso dizer pra você que esse não é um período fácil. Mas hoje, 23 de março de 2020, às 11h46, eu venho até aqui para compartilhar três coisas que tenho aprendido diariamente com esses dias de reclusão. 

1. Hoje pode não ser o seu dia mais produtivo. E tá tudo bem.

Veja bem, este não é um convite à procrastinação. Muito menos um incentivo para que você fuja das suas responsabilidades. Essa também não é uma lista do que você deve fazer para ter um bom desempenho. Nesses últimos dias o que mais tem surgido são essas listas. Bem, a gente sabe que é importante aproveitar o tempo em casa e seguir com o trabalho. E ter um bom desempenho. Mas você pode aceitar e entender que tá tudo bem se hoje não for o seu dia mais produtivo.

Que tal tentar descansar um pouco sem se cobrar tanto? Você pode aproveitar para mudar os móveis de lugar, dar uma geral pela casa, ou até mesmo passar uma horinha na varanda apreciando a falta de movimento na avenida. Se você mora numa cidade agitada como eu talvez nunca tenha visto as ruas tão vazias. E depois que tudo isso passar dificilmente você vai vê-las assim de novo. 

Acompanhar tão intensamente as notícias e até mesmo as mais diversas dicas de como ser uma pessoa produtiva em meio a uma pandemia (por melhores que sejam as intenções de quem compartilha) pode trazer ansiedade, ser angustiante e um pouco pesado para alguns de nós. E, justamente por isso, eu resolvi abraçar a minha falta temporária de produtividade. Só por hoje. Só para tomar um ar. Hoje eu reguei as plantas, troquei algumas de vaso, dancei pela casa e tive um diálogo comigo mesmo em voz alta. Sim, o confinamento tem dessas. Mas o importante é deixar a mente respirar no meio de tudo isso. Você vai voltar a produzir, ver seu fluxo voltar e o trabalho acontecer. Porque hoje pode não ser o seu dia mais produtivo. E você precisa relaxar!

2. Tudo o que você tem hoje é o suficiente. Agradeça.

Parece clichê afirmar que tudo o que nós temos é o momento presente. Nem mais, nem menos. Apenas o agora. E que nós temos que valorizar todas as pequenas dádivas que nos cercam. Eu mesmo já li isso em vários lugares. Mas somente quando você estiver trancado dentro de casa no meio de uma pandemia mundial é que você vai começar a notar a importância das coisas mais simples e que ganham o mínimo de atenção, como acordar bem e disposto, ou preparar seu café da manhã e começar a sua rotina (acredite, até da sua rotina você vai sentir falta), e também dos laços e pessoas que te cercam.

A quarentena vem acompanhada de um certo medo e insegurança acerca do futuro – a gente não sabe se isso vai durar dias, semanas ou meses – e também um desgaste emocional, porque você quer se cuidar e também proteger todo mundo que você ama enquanto um inimigo invisível percorre a cidade. Por isso é importante reparar no presente que é poder respirar bem e ter saúde para fazer suas coisas. É incrível poder abrir meu notebook no sofá da sala e trabalhar ali mesmo, caso eu queira. Criando meus próprios horários e respeitando meu próprio tempo. Eu mesmo sonhei tanto com o dia em que poderia ter a rotina que tenho hoje. Os sonhos e anseios profissionais que realizei em tão pouco tempo. E não quero que nada me tire isso. 

Porque amo estar em casa. E também amo a ideia de ter a minha casa. Do meu jeitinho, com as minhas coisas. Confesso que me tornei muito mais caseiro de uns anos pra cá. Afinal, com finais de semana sendo preenchidos por casamentos e viagens, todos os dias que passo em casa ganham um novo sabor. E desde quando me vi obrigado a permanecer dentro de casa, tenho me policiado para dar ainda mais valor e intensidade às pequenas coisas que faço dentro dela.

Enquanto seguimos a regra de isolamento social, repare em tudo o que você construiu até aqui. O que você tem, literalmente, dentro de casa já é o bastante. Aproveite bem, o máximo que puder, dando a devida atenção e carinho. E agradeça por ter tanto!

3. Você vai descobrir um novo velho hábito. Deixe aflorar.

A gente nunca sabe de onde vem a inspiração. Às vezes de uma caminhada na praia, às vezes daquele filme que vimos no cinema no domingo à tarde, ou até mesmo observando as pessoas caminharem e seguirem seus dias. Tudo pode inspirar. Mas, bem, no atual momento esses simples momentos inspiradores não fazem mais parte dos nossos dias. E terão dias que a gente vai se ver com o reservatório de ideias bem vazio. Vão ter dias que a nossa produtividade vai estar lá embaixo (e tá tudo bem, ok?). Vão ter dias que o trabalho e tudo aquilo que a gente sabe fazer de melhor vão precisar de umas horinhas de descanso. Pro bem do bom funcionamento da nossa mente. 

E são nesses dias que você vai se ver mergulhando de volta numa vontade louca de escrever. Ou de cantar. Ou de produzir algo que você tinha por puro hobbie e que precisou ficar de lado quando o trabalho ganhou mais da sua atenção. E isso é maravilhoso! Quantas coisas fazíamos antes e acabamos deixando pra lá, né? Eu tenho aprendido a deixar isso aflorar diariamente com a quarentena. Um bom exemplo é esse texto que você está lendo nesse exato momento e que começou a borbulhar na mente enquanto eu ouvia uma música que há tempos estava esquecida. 

Estava arrumando a cozinha depois de entender que não adiantava ficar forçando a criatividade e produtividade. E decidi ouvir música. E comecei a escrever. E lembrei do quanto eu amo escrever e de como tenho facilidade em colocar em palavras o que sinto, pois me expresso melhor e consigo ser mais transparente com o que quero falar. Isso é algo que eu adorava fazer algum tempo atrás e agora está aflorando. E deixar aflorar é a melhor coisa a se fazer. É refrescante e surpreendente.

O que você costumava fazer quando tinha mais tempo e menos responsabilidades? Aposto que esse velho hábito ou costume ainda está guardado aí dentro. Esperando um insight para ganhar sua atenção de volta. Deixa vir. Se permita produzir o que você sente que deve produzir no momento. E você vai se ver tomado por uma onda de criatividade que há muito não via.  

Não deixe o peso dos dias de reclusão social afastarem o seu brilho. Não vai ser uma tarefa fácil, eu sei. Mas é uma caminhada diária. Entendendo que está tudo bem se você não se sentir produtivo como de costume, agradecendo por estar onde você está nesse momento e com tudo o que você tem nesse momento, e ainda dando vazão a hábitos que já não te visitavam mais são bons passos. 

Seguimos nessa juntos e se ajudando. Shine on, you crazy diamond!

Com carinho,

Alan.